Arte oficial do Gemini 4 Carbon: um cristal translúcido sobre fundo azul

Gemini 4 Carbon: a Google volta ao topo

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Depois de meses lançando apenas modelos Flash, a Google apresentou o Gemini 4 Argon e, duas semanas depois, o Gemini 4 Carbon, que assumiu o primeiro lugar no índice de inteligência do Artificial Analysis.

A Google voltou

A Google anunciou nesta quarta-feira, 28 de outubro, o Gemini 4 Carbon, seu novo modelo de fronteira. O lançamento chega apenas duas semanas depois do Gemini 4 Argon e já colocou a empresa em primeiro lugar no Artificial Analysis Intelligence Index, à frente do Claude Opus 5.5 e do GPT-6 Astra.

Dois modelos de ponta em menos de um mês marcam uma mudança de ritmo. Durante boa parte de 2026, a Google ficou sem um modelo capaz de disputar o topo com Anthropic e OpenAI. Agora, a empresa volta ao centro da conversa.

Meses de Flash

O último modelo de fronteira da Google antes do Gemini 4 tinha sido o Gemini 3.1 Pro, lançado em fevereiro. Desde então, a empresa concentrou seus lançamentos na linha Flash, voltada a velocidade e custo baixo.

O principal deles foi o Gemini 3.5 Flash, apresentado no Google I/O 2026, em maio. A Google prometia respostas até quatro vezes mais rápidas que outros modelos de ponta, e o modelo cumpriu bem esse papel: era rápido e barato, mas não chegava a ameaçar os líderes em inteligência. Nos meses seguintes vieram os Gemini 3.6, 3.7 e 3.8 Flash, atualizações incrementais da mesma família. Para ter uma ideia, o Gemini 3.8 Flash marca 31 pontos no índice do Artificial Analysis, pouco mais da metade dos 58 do Claude Opus 5.5.

No lado local, a novidade foi o Gemma 4 12B, lançado em junho. Trata-se de um modelo aberto de 12 bilhões de parâmetros, sob licença Apache 2.0, que entende texto, imagem e áudio e foi pensado para rodar em notebooks com 16 GB de memória.

Gemini 4 Argon

O Gemini 4 Argon foi anunciado em 30 de setembro, com foco em engenharia de software, trabalho de conhecimento e defesa cibernética. Entre as novidades, o limite de saída saltou de 64 mil para 1 milhão de tokens. No primeiro momento, porém, o acesso ficou restrito a um grupo de especialistas em cibersegurança, por meio do Fairwind, programa de segurança da Google.

A liberação mais ampla veio em 13 de outubro. O Argon chegou ao app do Gemini e ao Modo IA da Busca para assinantes Google AI Pro e Ultra, e à API para desenvolvedores, com preço introdutório de US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de saída. No app, o modelo trouxe respostas mais diretas, um modo de tarefas que continua trabalhando mesmo quando você está longe do computador e conexão com mais de 40 aplicativos.

A reclamação dos assinantes Pro

O problema estava no Antigravity, a ferramenta de programação com agentes da Google. Lá, o Argon foi liberado apenas para o plano Ultra, o mais caro. Assinantes do Pro foram aos fóruns da Google reclamar: segundo eles, o modelo tinha sido divulgado para o Pro, mas ficou bloqueado justamente na ferramenta em que mais faria diferença. Alguns lembraram que o Gemini 3.1 Pro já tinha saído do Antigravity, deixando o plano apenas com modelos Flash, e houve quem falasse em propaganda enganosa.

Dois dias depois do lançamento, em 15 de outubro, a Google liberou o Argon no Antigravity para o Pro, com uma cota semanal separada. As reclamações não acabaram de vez: usuários seguiram relatando que poucos prompts com o Argon bastavam para esgotar o limite.

Gemini 4 Carbon

O Carbon é uma evolução direta do Argon. Segundo a Google, o lançamento rápido foi possível graças à colaboração próxima entre pesquisadores e os próprios modelos, e incorporou o retorno dos usuários sobre a versão anterior. A empresa não divulgou o tamanho do modelo nem detalhes de arquitetura.

As melhorias aparecem em programação, agentes, ciência, desenvolvimento web e compreensão multimodal. O Carbon foi pensado para trabalhos longos: a Google conta que, internamente, o modelo chegou a trabalhar por dias seguidos, contornando becos sem saída até encontrar e corrigir a causa de bugs em grandes bases de código.

Em relação ao Argon, a Google destaca:

  • O dobro de acerto na geração de código seguro, em testes internos.
  • Metade das afirmações sem fundamento.
  • Redução de 26% nos casos em que o modelo faz mais do que foi pedido e de 29% nos casos em que entrega menos.
  • Quando a instrução é ambígua, o modelo busca as fontes relevantes e aponta discrepâncias antes de agir.

A cibersegurança continua sendo o carro-chefe. O Carbon marca 88,2% no SEC-bench Pro, que mede a capacidade de encontrar vulnerabilidades, 54,8% no ExploitGym, de exploração, e 71% no CWE-bench, que avalia a correção da causa dos problemas.

Tabela oficial de benchmarks da Google comparando Gemini 4 Carbon, Gemini 4 Argon, GPT-6 Astra, Claude Opus 5.5 e Claude Fable 5.1

Benchmarks divulgados pela Google. O Carbon lidera na maioria dos testes, mas fica atrás do GPT-6 Astra no FrontierSWE 2 e do Claude Opus 5.5 no OSWorld-2.1.

O salto em relação ao Argon é grande para um intervalo de duas semanas. No Terminal-Bench 4.0, o resultado foi de 57,1% para 65,2%. No GraphWalks, que testa contextos longos de 256 mil a 1 milhão de tokens, foi de 84,2% para 96,2%.

O que diz o Artificial Analysis

O Artificial Analysis é uma das principais referências independentes para comparar modelos de IA. A versão 5.0 do seu índice de inteligência combina nove avaliações, que vão de programação no terminal a raciocínio científico e conhecimento geral.

Nesse índice, o Gemini 4 Carbon (high) aparece em primeiro lugar, com 59 pontos. Logo atrás estão o Claude Opus 5.5, com 58, e o GPT-6 Astra, com 57. Segundo a tabela da Google, o Argon marcava 50, ou seja, o Carbon ganhou nove pontos em duas semanas.

Artificial Analysis Intelligence Index v5.0 com o Gemini 4 Carbon em primeiro lugar, com 59 pontos

A barra quadriculada indica que o Carbon ainda não tem API pública: o Artificial Analysis avaliou o modelo antes da liberação.

O custo também chama atenção. Para completar as tarefas do índice, o Carbon gasta em média US$ 7,76 por tarefa. É menos que o Claude Sonnet 5.5 e o Qwen 3.8 Max (US$ 10,02 cada), o Claude Opus 5.5 (US$ 10,04) e o Claude Fable 5.1 (US$ 13,04). Fica até um centavo abaixo do próprio Gemini 3.8 Flash (US$ 7,77) e não muito longe do GPT-6 Astra (US$ 6,24).

Custo por tarefa do Artificial Analysis Intelligence Index, com o Gemini 4 Carbon a US$ 7,76

Custo médio, em dólares, por tarefa do índice de inteligência. Quanto menor, melhor.

Em programação com agentes, o resultado também é forte. No Coding Agent Index, que avalia a combinação de modelo e ferramenta, o Carbon rodando no Antigravity CLI marca 59 pontos. Fica atrás apenas do Claude Code com o Opus 5.5, que tem 62, e empata com o Claude Code com o Sonnet 5.5 e com o Muse Code com o Muse Wonder Full. O Argon, na mesma ferramenta, marcava 53.

Artificial Analysis Coding Agent Index com o Gemini 4 Carbon no Antigravity CLI em segundo lugar, com 59 pontos

Coding Agent Index do Artificial Analysis, que combina FrontierCode, Terminal-Bench 4.0 e SWE-Atlas-QnA.

Disponibilidade e preço

Apesar dos números, o Carbon ainda não está aberto ao público. A Google adotou uma liberação em fases e participa do processo voluntário de testes pré-lançamento do governo dos Estados Unidos:

  1. Nesta semana, o acesso começa por um grupo de especialistas em cibersegurança.
  2. Depois, ele se estende gradualmente a mais parceiros do programa Fairwind.
  3. Por fim, o modelo chega a desenvolvedores, empresas e consumidores “o mais rápido possível”, segundo a Google, depois de mais rodadas de feedback e ajustes de segurança.

O preço segue o do Argon: US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de saída durante o período introdutório, com desconto de 95% para tokens de entrada em cache. Depois, os valores sobem para US$ 4 e US$ 20.

A Google ainda não disse em quais planos do app do Gemini o Carbon vai aparecer. Depois da polêmica com o Argon no Antigravity, essa é uma resposta que os assinantes do Pro devem acompanhar de perto.

Fontes